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A Melhor Amiga da Barbie

Meu querido Vulcão

07.11.17 | Ana Gomes

Meu Pequenino, 

 

Ainda deves ter ouvido algumas conversas chatas. Quando soube que vinhas para nossa casa fiquei muito zangada. Mesmo zangada. O problema é que eu sei como sou: sei que te iria amar incondicionalmente e não me sentia preparada para te receber. E achava - e sei - que a casa onde viveste connosco ao principio era tudo menos ideal. Mas nunca te importaste grande coisa com isso. Menos com as escadas : caramba… como odiavas aquelas escadas. 

 

Lá fomos aprendendo a viver em comunidade e acho que foste um bom estágio para receber a tua mana: noites sem dormir, uma preocupação constante e muitaaaaa asneirada pelo meio. Talvez não saibas, mas quando fui internada no hospital sofri muito. Porque de repente tinhas de ir para outra casa e dava tudo para que me pudesses visitar no hospital. Sei que também ias gostar de ter lá estado. 

Foste para casa dos meus pais e fizeste duas amigas para a vida : a Pipas e a Ginja. E acho que só elas sabem o nosso segredo. Quando estava de castigo em casa, de repouso absoluto, às vezes punha uma manta na cama e ajudava-te a subir. E lá ficava eu contigo ao meu lado encostado à minha barriga, os dois em silêncio, prontos para te por no chão se sentíssemos alguém a chegar. Foste um companheiro e pêras! Sempre, sempre, sempre, sempre ao meu lado. E demonstraste uma capacidade de adaptação acima da média. Todos diziam que cães como tu não eram de estar na rua, que tu querias era casa… perdemos a conta à quantidade de vezes que fomos dar contigo no jardim escondido nos arbustos. Também por isso tememos o teu regresso à cidade! Já tínhamos uma casa nova mas… mesmo assim sem um jardim e sem as tuas amigas de que tanto gostas. Ou pensas que não sei que foges para o tapete peludo do meu quarto e te enroscas todo como se fosse a Ginja?

Sabes meu bebé… quando o telefone tocou e me disseram que tinhas desaparecido não queria acreditar. Achei que ia ser uma questão de minutos. Meti-me no carro com a certeza que me iam ligar a meio do caminho a dizer que já ali estavas. Que tinhas ido só à procura de um jardim ou de um sitio para te esconderes. E quando o sol começou a desaparecer no céu gelei com a ideia de te ver gelado, desorientado e desamparado. 

Até compreendo aquelas pessoas que ridicularizam esta dor. Mas não sei bem se têm sorte ou azar por nunca terem sentido um amor destes. 

Passei a noite passada acordada, a pensar em como amava poder pegar-te ao colo e ficar contigo em cima da cama em silêncio para te meter no chão mal ouvisse alguém chegar. Não consigo fazer grande coisa… nem me apetece falar com ninguém. A tua mana tem sido muito paciente. Mas aposto que a vi à tua procura ontem quando chegámos a casa. A mim também me custa muito. E ainda não consigo disfarçar. Tenho mudado a água - como fazia todos os dias - na esperança que voltes e que ela esteja fresca. Espero que quem te encontre perceba que gostas de ser aconchegado à noite. Que saiba que gostas que te entalemos a mantinha na cama e que dás sempre uma lambidela de boa noite ou esticas a patinha num carinho delicado. 

Espero que quem te encontre seja paciente e doce. Carinhoso e bem intencionado.

O que mais espero é que quem te encontre te entregue num veterinário, nos ligue ou tente saber onde pertences. 

 

Porque meu pequenino. É aqui que tu pertences e não consigo imaginar o sofrimento em que estás. Espero que andes distraído, que até estejas feliz - apesar de confuso - mas vem ser feliz connosco meu patudo. Anda… que não sei bem como se faz agora para viver sem saber onde estás.

Espero - do fundo do meu coração apertado - que nunca te esqueças de nós e que tenhas sido feliz. Eu apostava que sim.<

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O Vulcão desapareceu dia 6 de Novembro pelas 10.30 na Charneca do Lumiar.

 

EDIT : E apareceu dia 7 à noite no Eixo Norte Sul. 

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