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A Melhor Amiga da Barbie

19
Jan16

Diário Dela #25

Ana Gomes

Captura de ecrã 2016-01-19, às 19.09.29.png

 

"Vem acordar em mim. 

Vem-me despertar o sentir. 

Estou dormente. Adormecida de ti. 

Vem-me ver dançar na tua varanda. O cabelo que se enrola nos dedos enquanto as pernas procuram o ritmo. 

Sente a minha pele picotada nas pontas dos teus dedos. 

 

Vem. 

 

Faz um tremor de terra. 

Faz-me querer e ter de fugir. 

Estou longe. Perdida em mim. 

Faz-me saber que ainda sorris. Os olhos fecham-se quando os braços se entrelaçam por trás da minha cabeça.

Sente a minha pele morna por baixo das palmas das tuas mãos.

 

Vem. "

 

 

Diário Dela. 

06
Abr15

Diário Dela #23

Ana Gomes

diariodela23.jpg

 

 

" Eu vou continuar sem saber. 

Quero acreditar que me apaixonei num dia de Sol e sei que era Inverno. 

Vou continuar sem saber porque tenho feito por não pensar nisso. 

Sei que era Inverno porque estávamos em Dezembro e o tempo sei-o porque me pude esconder nuns óculos de sol. Fiquei na posição mais desconfortável. Sentada numa cadeira virada para o rio sem nunca perceber se estavas ou não a olhar para mim. 

Há uma coisa que sei : para além do medo não me lembro de sentir mais grande coisa. Nem tristeza, nem ansiedade, nem alegria. Medo. Só medo. 

Medo de que te fosses embora depois de me ver. Medo de que te arrependesses dos 15 convites que me fizeste... mesmo depois de ter sido eu a rejeitar 16 ( segundo as tuas contas ). 

Palerma : rejeitei por medo. Nunca por mania. 

Confesso : Apesar do medo a ideia da superação - ter aceite e ter concretizado - foi um alivio enorme. Na minha cabeça ia intercalando "onde é que me estou a meter" com "quero que se lixe". Pensei "quero que fique" e pensei "já sei que se vai embora". 

E de repente dei por mim a falar de tudo. Expus as minhas fragilidades, aquelas coisas que achei que eram o meu maior segredo. Dei ao meu maior inimigo toda a estratégia de ataque. Não sei. Acho que senti que saberes os meus pontos fracos me faria ter menos medo. 

 

Compreendem? Pareceu-me tão sensato ser a pessoa menos encantadora do mundo. Depois de verbalizar aquilo que mais tentei esconder do mundo pensei : agora não volta. agora nunca mais volta. 

 

Lembro-me vagamente do resto das conversas que tivemos. Sei que falámos das minhas negações e da forma meio atabalhoada como fomos ali parar e eu desejei que o meu avião saísse mais cedo e quis não ter de lidar com a rejeição. 

 

Quero acreditar que me apaixonei num dia de Sol e sei que era Inverno. Mas tenho quase a certeza que não foi naquela esplanada. Ali só senti medo. E depois uma vontade incontrolável de te dizer que não queria que não voltasses. 

 

Queria-te por perto. 

 

Talvez me tenha apaixonado por ti quando me deste a mão mesmo sabendo que não era seguro. Tenho a certeza que me apaixonei por ti todas as vezes que me fizeste tremer. E vou querer que nunca te esqueças de inventar formas de me roubar beijos : como quando me mascaraste e te mascaraste e depois de nos termos beijado teres sido forçado a comprar as máscaras. Sem metáforas. Só com a piada que adoro que tenhas. "  

15
Mar15

Diário Dela #22

Ana Gomes

diariodela.jpg

 

 

 

Notas perdidas no caderno :

 

" - Aprender a não viver uma relação obsessivamente.

(mancha de copo de café)

Estar na ambivalência de todas as coisas, sentir só na medida do razoável. 

- Quando me levantar de manhã e tiver vontade de agarrar o amor com os braços do mundo, ficar-me só pela força de um continente. Ou ser a indiferença. Amar para dentro. 

 

 

- Usar o Amor Obsessivo - transforma-lo em Amor Próprio. Ter a defesa do ego maior do que a fragilidade e transformar energias em capacidades positivas de renovação interior. 

Quando compreendemos que enviamos constantemente os sinais errados, que a nossa essência e o nosso ser não são recebidos como os enviamos. Quando não somos a fórmula para o problema matemático sabemos que somos o parêntesis na equação. 

 

Sinto demais. Vivo entre a indiferença e o Amor Profundo. Entre Amar sem limites e a capacidade de filtrar o amargo : o gosto acre que potencia a virilidade das mulheres. 

Sei - com cada vez maior convicção - que não sirvo para qualquer propósito, que não tenho a essência dos que resistem, persistem e procura. 

 

Sou. 

 

E isso não tem sido valorativo. "

 

 

04
Set14

Diário Dela #21

Ana Gomes

 

 

"Quantas vezes terei de estar na fila do supermercado, do outro lado da passadeira, no corredor de um centro comercial a questionar-me quando será a minha vez. Se algum dia será a minha vez.

Gestos de carinho, de paixão vestida de ternura, de cumplicidade nas coisas mais simples da vida.

Pertenço aquele grupo de pessoas que irá sempre passar ao lado de um grande Amor? Que sabendo que é possível, que existe, que está mesmo ali no quotidiano puro terá que aceitar que Ele viverá sempre num lugar que não sou eu. 

 

Quantas mais vezes terei de esconder a angustia de uns olhos cheios de lágrimas numa madeixa de cabelo mal arrumada? "

 

Diário Dela - Notas soltas. 

01
Set14

Diário Dela #20

Ana Gomes

"É esmagador. 

Aquele sorriso nervoso quando me vês chegar. E os cantos da minha boca que se abrem num tremer nervoso. Sei que o coração entretanto bate descompassado. Palerma e atrapalhado só vai acalmar muito depois de me abraçares. 

Quando eu me aproximo é assim. As tuas mãos que se precipitam para a minha cintura. O tua altura tão maior que a minha e o cheiro que quero engolir. E estamos assim numa espécie de corrida em câmara lenta, um de encontro ao outro, em que ao nosso redor tudo passa a indiferente e são aqueles segundos pequenos que nos fazem sentir ainda mais miúdos numa espera de quem ainda não tem bem noção do tempo. 

 

Somos assim. E quando os corpos se encontram já os sentidos se baralharam. Fico sem jeito, sem saber como te agarro ou como me perco com a cabeça de encontro ao teu cabelo. 

 

Nunca sei navegar a maré em que quase me afogo até chegar a ti : o meu porto seguro. " 

 

 

Diário Dela - pag. 567 

24
Fev14

Diário Dela #17

Ana Gomes

"O ecrã do computador branco com o cursor a piscar. Deito-me para trás, inclino o meu corpo sobre a cama.

 

Respiro fundo, o silêncio é interrompido pelo teu perfume na minha roupa. Agarro uma madeixa de cabelo, o teu cheiro. Procurei sentir-te. 

Fecho os olhos e encaixo as minhas mãos na cintura, numa ginástica de quem se abraça na procura de outros braços. Toquei na minha barriga com a ponta dos dedos, senti no meu arrepio a tua respiração. Longe.

Os meus lábios comprimem-se, tentam engolir o espaço e o tempo que nos separam. As minhas pestanas prendem as lágrimas, como gotas de chuva. Não devia ter-te trazido comigo. As palavras, de resto as únicas que transformaram a distância física em distância emocional, determinaram que o meu chão não te tinha como tecto.

Acontece que os reencontros do acaso são tão certos como a dor se seguir ao Amor. "

 

 

17
Jan14

Diário Dela #16

Ana Gomes

 

"Hoje sonhei com a noite em que deixámos de ser os melhores amigos. A caminho de uma festa. Num carro cheio, quatro pessoas num banco de três. 

Eu numa perpendicular esquisita, meia no teu colo, meia no ar. Deixei cair o telemovel. Baixámo-nos os dois para o apanhar e demos um beijo. O primeiro, o último.

O único. 

Senti aquele arrepio quando nos inclinámos ao mesmo tempo. O mesmo arrepio que senti tantas vezes. Que escondemos os dois. Não dos outros mas de nós. Um do outro. 

No meu sonho nada aconteceu de diferente. 

 

Muitos meses antes: um grupo de amigos divertido e tu eras o melhor. O meu melhor amigo. 

Por seres assim eu não te sabia ver feio, nem apreciar o teu corpo. Não é conversa. Era mesmo assim. Ralhavas tanto comigo porque eu fumava, mas eras sempre tu que os acabavas os meus cigarros. O teu pai tinha uma aparelhagem maravilhosa e no chão da vossa sala ouvíamos discos com o teu irmão.

No dia em que me disseste que iam morar para outra cidade senti-me injustiçada. Chorei. Não queria que fosses. Duas horas de distância era um mundo.

Uma amiga minha começou a namorar com o teu grande amigo e foi assim que nos conhecemos. Não foi uma história encantadora. Foi só assim. 

No dia em que me disseste que iam morar para outra cidade ficou tudo diferente.

Gravávamos cds um para o outro, íamos juntos a concertos, combinávamos sempre um copo mesmo que mais ninguém fosse. Todos os dias nos preparávamos ao contrário para a vida um sem o outro.

Com o Verão chegou a boa noticia - ficavas, já não iam embora. E depois do alivio vieram as tardes na piscina. A tua barriga era a minha almofada e lia-te livros em voz alta. Depois mergulhava e voltava para sacudir o meu cabelo molhado em cima de ti. Até ao dia em que quando me levantei me agarraste a mão. Não me lembro de o teres feito antes - com certeza que sim - mas naquele instante foi a primeira vez que me senti agarrada a ti, por ti, e fiquei com um nó na garganta. Naquele pedaço de tempo em que me voltei a deitar ao teu lado : olhos nos olhos. Senti a palma da tua mão fria e ligeiramente transpirada. 

Daí para a frente as gargalhadas passaram a sorrisos cumplices, os olhares deixaram de contar histórias e passaram a fazer perguntas e a querer respostas.

Deixaste de me puxar para o teu colo e passámos a demorar mais tempo nos abraços. Quando no fim de um dia ou de uma noite nos despedíamos sozinhos o nó voltava a atar-se e a tua mão esfriava. Nunca falámos sobre isso. Nunca por palavras.

E numa noite em que dançámos, como todos os fins-de-semana até ali, senti o meu corpo a precipitar-se para o teu e ao mesmo tempo a angustia do desejo errado. 

Voltei para casa a desejar que te fosses embora. Que o tempo voltasse para o dia em que soube que te ias embora. Mil vezes sofrer por não te ter comigo do que sofrer por te querer demais. 

O que era bonito e puro em nós era a cumplicidade descomprometida. Era ouvir música no chão da tua sala, ter a tua barriga como almofada, ler para ti, rir contigo, saber de ti tanto quanto sabia de mim. 

 

Naquela noite, no carro, quatro pessoas no lugar de três. Um beijo.

Beijámos tantas pessoas desde o dia em que nos conhecemos. Era mais um beijo? Foi o beijo. 

Sem inocência. Sabíamos tanto um sobre o outro...  que quando os nossos lábios se tocaram suavemente provámos o mesmo veneno." 

 

Diário Dela 

 

 

 

 

 

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